Presidente do Detran discursa no palco acompanhado de mais 3 participantes do debate sobre Dossiê do Trânsito. Ao fundo um grande banner com a imagem do brasão do Estado do Rio de Janeiro

Nesta quarta-feira, 18, o Detran.RJ lançou em parceria com o Instituto de Segurança Pública (ISP) a terceira edição do Dossiê Trânsito. A publicação, apresentada em cerimônia no auditório da Secretaria de Fazenda, no Centro do Rio, reúne dados estatísticos referentes ao ano de 2018 e foi elaborada pela Coordenadoria de Estatística e Acidentologia do departamento, em conjunto com equipes do ISP e da Polícia Civil.

O vice-governador, Claudio Castro, participou do lançamento, que marcou o início da programação da Semana Nacional do Trânsito e segue até o dia 25 de setembro. Além dele, o presidente do Detran, Marcelo Bertolucci, a presidente do ISP, Adriana Pereira Mendes, e o coordenador-geral da Operação Lei Seca, Cel. Marcelo Rocha, compuseram a mesa.

“Aqui estamos travando uma luta diária pela vida. Podemos ver, folheando esse trabalho, que temos acidentes por excesso de velocidade e por atropelamento, em sua maioria. Ou seja, motoristas e pedestre sofrendo juntos. Esses dados podem mudar a sociedade na prática. É fantástico o que estamos fazendo para que possamos entender o que acontece no Estado e trabalhar para mudar isso”, destacou Claudio Castro.

O presidente do Detran, Marcelo Bertolucci, lembrou que uma das missões do departamento é implantar políticas de educação e fiscalização. Para isso, são realizadas ações de conscientização dos atores do trânsito e blitzen educativas. Ele ressaltou ainda que, entre os números do Dossiê Trânsito, o percentual de mortes ainda é muito alto. “São 9,6% das vítimas de mortes violentas em todo o estado do Rio. É um número muito grande, que pode ser evitado com mais educação e respeito às leis de trânsito”, afirmou.

O trabalho apresenta informações sobre acidentes fatais e não fatais, infrações no trânsito e perfil dos condutores e infratores, além das alterações na legislação que visaram à redução de acidentes e à preservação da vida.

A presidente do ISP parabenizou as equipes de estatísticas do ISP e do Detran.RJ, que reuniram e analisaram os dados. “A ideia de todo o nosso esforço é nortear as políticas públicas do estado. Esperamos que esse trabalho possa ser frutífero, tanto na prevenção, mas também na repressão, quando falamos de acidentes de trânsito”, afirmou.

A publicação também traz conclusões sobre estatísticas das chamadas do Serviço 190 e de internações decorrentes de acidentes de trânsito em leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), em parcerias com a Polícia Civil e Secretaria de Estado de Saúde, respectivamente.

“Os dados homologados nesse trabalho buscam fornecer dados confiáveis no sentido de descrever a magnitude de problemas ligados a área de trânsito, assim como subsidiar programas de educação no trânsito e políticas na prevenção de acidentes de trânsito. A utilização das estatísticas de acidentes de trânsito é primordial para identificar riscos, desenvolver estratégias e intervenções corretivas”, afirma Pedro Pepe, coordenador de Estatística e Acidentologia do Detran.RJ.

Acidentes de trânsito

Em 2018, 1.957 pessoas morreram e 27.520 se lesionaram em acidentes de trânsito no estado, ou seja, em média, 81 pessoas se envolveram em acidentes de trânsito por dia. O ano de 2018 registrou cerca de 11 vítimas fatais para cada 100 mil habitantes, mantendo-se estável nos últimos três anos. Quando observamos os dados de vítimas fatais por região do estado, o Interior apresentou a maior taxa por 100 mil habitantes: foram 14,1 mortes por 100 mil habitantes.

Ao analisar as causas das mortes no trânsito, o Dossiê mostra que mais de um terço das mortes no trânsito (35,2%) foram provocadas por atropelamento e 24,7% por colisão de veículos. Quanto ao perfil, 44,7% das vítimas fatais de atropelamento tinham mais de 60 anos e 37,3% das vítimas fatais por colisão de veículos tinham entre 18 e 29 anos.

Em relação às vítimas não fatais, o ano de 2018 apresentou a segunda menor taxa de toda a série histórica: 161,6 vítimas lesionadas por 100 mil habitantes. Entre as regiões do estado, a Grande Niterói (Niterói, Maricá e São Gonçalo) apresentou a maior taxa de vítimas: 206,5 por 100 mil habitantes. Nos acidentes com vítimas não fatais, 23% foram motivados por causa de batida de veículos e 11% por atropelamentos. Ao analisar o perfil dos acidentes de trânsito, 26,6% das vítimas não fatais de atropelamento tinham entre 30 e 45 anos e 37,7% das vítimas de lesões corporais por colisão de veículos tinham entre 30 e 45 anos.

Infrações de trânsito

Os dados da Coordenadoria de Estatística e Acidentologia do Detran.RJ, no ano passado, registram que foram cometidas 4.822.305 infrações de trânsito no estado do Rio de Janeiro. Metade dessas infrações foi por excesso de velocidade. A capital é a região do estado com a maior proporção de infrações (60,6%), seguida do Interior (22,3%).

Ao analisar o perfil dos infratores de trânsito, vemos que 59,6% são do sexo masculino e 22,1% do sexo feminino. A faixa etária de 31 a 40 anos foi a que apresentou o maior número de infratores no ano passado, representando 21,1% das autorias, seguida da faixa de 41 a 50 anos, com 18,9% das infrações cometidas.

Operação Lei Seca: dez anos de vida

Em homenagem aos dez anos de existência da Operação Lei Seca, esta edição apresenta um panorama dos dados referentes às ações da operação entre os anos de 2009 e 2018. Por meio de um convênio entre a Secretaria de Estado de Governo e Relações Institucionais (SEGOV), a Secretaria de Estado de Casa Civil e Governança e o Detran.RJ, o Governo do Estado do Rio de Janeiro articulou uma política pública, de caráter permanente, cujo objetivo principal é reduzir os acidentes de trânsito no estado, além de advertir a população sobre os perigos da condução de veículos sob efeitos do álcool, promovendo ações de conscientização em locais de grande concentração de público e blitz em vias públicas.

Após a implementação da Operação Lei Seca em 2009, o número de ações cresceu a cada ano, sendo 2015 aquele em que elas mais ocorreram (2.984 operações). Nos anos de 2015 e 2016 foram registradas as menores taxas de acidentes fatais no estado e os índices de acidentes não fatais tiveram quedas expressivas. Apesar da redução no número de operações ocorridas nos últimos três anos, o número de condutores abordados por operação se manteve estável nesse período – apenas em 2018, 328.738 condutores foram abordados, ou seja, a Operação Lei Seca abordou cerca de 901 condutores por dia em 2018. Destes condutores, 14.147 foram flagrados pela operação com sinais de alcoolemia e aproximadamente 80% dos condutores flagrados se recusaram a realizar o teste do etilômetro.

Outros olhares

Na seção “Outros olhares” do Dossiê Trânsito 2019, o artigo de Nadine Melloni (Instituto de Segurança Pública) analisa as chamadas para o Serviço 190, da Secretaria de Estado de Polícia Militar, relacionadas a acidentes de trânsito. De todas as ligações realizadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para o 190 em 2018, os acidentes de trânsito com vítima apareceram como o oitavo motivo mais frequente, com aproximadamente 30 mil ligações. Destas ligações, 67,8% geraram despachos de viaturas – ocupando a quinta posição entre os motivos mais recorrentes de despacho. O artigo mostra como a Polícia Militar dedica grande parte de seu tempo e empenho no atendimento a essas ocorrências, que ocupam o primeiro lugar em termos de tempo mediano gasto (115 minutos). Nesse sentido, é importante pensar em como outros órgãos podem colaborar para aumentar a segurança dos cidadãos nas vias, atuando para reduzir o número de ocorrências e, quando possível, tornar o atendimento mais eficiente.

O segundo artigo é uma análise sobre internações e óbitos por acidentes de trânsito segundo dados do Datasus, de Aloísio Geraldo Sabino Lopes, da Secretaria de Estado de Saúde. O artigo mostra que foram registradas, por dia, 27 internações no Sistema Único de Saúde (SUS) decorrentes de acidentes de trânsito – dessas vítimas, cerca de 96% receberam alta e 4% faleceram no hospital. A maior parte das vítimas de acidentes de trânsito atendidas pelo SUS foi em decorrência de atropelamentos e acidentes de motocicleta. Segundo o artigo, em média, cada internação custou cerca de US$ 426 para os cofres públicos.

As informações divulgadas no Dossiê têm como fontes o banco de dados dos registros de ocorrência da Secretaria de Estado da Polícia Civil, o banco de dados da Coordenadoria de Estatística e Acidentologia do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran.RJ) e o banco de dados da Operação Lei Seca.